Histórico de Jonathan

O Pai de Jonathan

Policial Militar, justo e honesto, sempre tentou manter-se longe dos policiais corruptos. Não foi um homem de muito estudo. Morreu em 1985, com 40 anos, durante uma troca de tiros contra alguns homens que tentavam resgatar um preso que estava sendo levado à Casa de Detenção de São Paulo. Deixou um filho de 15 anos e esposa. Era um homem rígido na criação da família, e zelava pelo bem estar de todos, procurou fornecer a melhor educação para seu filho para que ele não tivesse a mesma vida que ele.

Em 1999 foi misteriosamente descoberto que outro Policial Militar, conhecido como Juca, teve envolvimento na morte de Jorge, foi encontrada em sua casa uma carta confessando o crime e relatando todos os acontecimentos da época, entregando até outros policiais que também estavam envolvidos, tudo isso junto da descrição de horríveis tormentos e angustias por quais vinha passando a aproximadamente 5 anos. Também foram achados documentos antigos, correspondências e gravações que comprovavam a confissão. Após escrever a carta, ele se jogou do 25º andar do prédio onde morava.

Jonathan

Nascido em 14 de janeiro de 1970, na cidade de São Paulo, filho de Jorge e Ana, teve uma infância comum marcada pelas brincadeiras no parque com os amigos. Era sua mãe quem passava maior parte do tempo cuidando dele, já que seu pai estava sempre trabalhando e voltava muito tarde para casa. Durante sua infância seu pai não foi muito presente.

Ao fazer 15 anos, seu pai foi morto enquanto estava trabalhando, deixando apenas Jonathan e a mãe.

Ana começou a trabalhar para sustentar o filho pouco tempo após a morte de Jorge, mas não era o suficiente, já que ela não possuía estudo e não conseguia nenhum emprego bom o suficiente para tal. Após alguns meses Jonathan começou a trabalhar para ajudar sua mãe. Apesar das dificuldades ele nunca deixou de levar adiante as pretensões de seu pai, e nunca largou seus estudos, aprendeu a lidar com seus problemas e a se virar dentro do possível.

Em 1989, com 19 anos começou a cursar a faculdade de Direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde conseguiu uma Bolsa de Estudos após realizar uma prova. Sua mãe sempre o ajudou e o encorajou.

Em 1990 conheceu em sua sala uma garota chamada Nicole e, acidentalmente, no mesmo ano, ele a engravidou. Apesar das dificuldades ambos optaram por ter o bebê, uma menina de nome Sarah, nascida no dia 14 de Agosto de 1990. E ambos foram morar na casa de Jonathan, junto de sua mãe para que ela pudesse os ajudar a criar a criança.

Em 1995, já formado, depois de passar por uma difícil recuperação de um tiro que recebeu durante um assalto, Jonathan foi aprovado em um Concurso para Investigador da Policia Civil do Estado de São Paulo, algum tempo depois, ele e a esposa mudaram-se para o bairro da Bela Vista, centro de São Paulo, e sua mãe continuou morando na mesma casa onde ele cresceu.

Depois de 5 anos na policia, em 1999, Jonathan conseguiu um cargo de chefia na corregedoria logo após desmascarar um gigantesco esquema de corrupção antigo dentro da Policia Militar de São Paulo juntamente aos prisioneiros, traficantes, etc. Muitas pessoas foram presas, e algumas, afetadas pela destruição de suas vidas, se mataram.

Mesmo com todos esses avanços profissionais, seu casamento não andava muito bem, e Jonathan mal ficava em casa. Sua esposa já não sabia muito bem o que estava acontecendo, visto que Jonathan nunca contava nada sobre seu trabalho, dizendo ser para o bem dela e de sua filha. Em 1999 se separaram e no mesmo ano Nicole mudou-se para Curitiba após conhecer um homem de lá. Em 2000 se divorciaram definitivamente. Jonathan vê a filha de 2 em 2 meses, sempre que consegue tempo para ir até lá, ou quando Nicole vem para São Paulo. Fazem 6 meses que Jonathan não consegue tempo para vê-la.

Três anos após seu divórcio Jonathan trouxe sua mãe para morar com ele novamente e dar um pouco de sossego após tanto anos de dificuldades para a velha Senhora, hoje com 55 anos.

Desde então ele ainda costuma dedicar-se muito a seu trabalho, e não conta a ninguém o que faz exatamente.

O Despertar

Jonathan manteve-se firme após a morte de seu pai, principalmente para apoiar sua mãe, que havia ficado muito abalada com a perda. O pai de Jonathan tinha um grande amigo de nome José Carlos Moreira, conhecido como Juca. Esse amigo ajudou muito a família de Jonathan nesses primeiros anos, tanto com dinheiro como com apoio moral a família.

Após completar 22 anos e formar-se na Universidade de Direito, Jonathan estava indo até a casa de Juca fazer-lhe uma visita e convidá-lo para ir a sua formatura que aconteceria no próximo sábado. Ao chegar lá, Jonathan deparou-se com uma conversa entre Juca e outro homem, sentados na sala discutindo um assunto a respeito de velhos acontecimentos. Jonathan não conseguia escutar direito, mas pelo que entendeu o outro homem estava chantageando Juca para que ele o ajudasse em um novo “esquema”, e que se Juca não o ele daria um jeito de contar o que Juca havia feito com o para libertar alguns presos em 1985. Nada era muito claro, mas Jonathan logo associou essa conversa aos acontecimentos que levara a morte de seu pai.

Nesse momento Jonathan ficou estático, não sabendo muito bem o que pensar, e tentou correr da casa o mais rápido que pode e encaminhar-se a casa de sua mãe. Assim que Jonathan saiu, Juca e o outro homem perceberam e foram atrás dele, a poucos metros da casa eles o alcançaram. Nisso, pegaram Jonathan e o levaram novamente para casa e começaram a interrogá-lo a fim de saber o que ele havia escutado, mas Jonathan não sabia o que falar, o outro homem começou a ficar enfurecido e num súbito movimento sacou sua arma e deu 2 tiros em Jonathan. Juca desesperado com a atitude impensada do amigo levou Jonathan inconsciente para o hospital, o mesmo em que o pai de Jonathan ficou antes de falecer.

Após algumas horas, o médico veio a Juca, já acompanhado da mãe de Jonathan e disse-lhe que o estado do jovem era complicado, ele estava em coma, pois os tiros atingiram uma artéria importante do corpo que ocasionou perde excessiva de sangue. As balas estavam alojadas no corpo de Jonathan e deveriam ser retiradas, com um procedimento perigoso, mas que era a única chance do garoto, e que, mesmo se desse certo, possivelmente ele teria algumas seqüelas, já que essa cirurgia não garantia que o garoto iria acordar do coma.

Durante as 6 horas de cirurgia, que corriam normalmente, em um instante os batimentos de Jonathan se aceleraram, e subitamente, seu coração parou devido ao esforço que seu corpo estava fazendo para agüentar todo o choque sofrido. Durante 5 minutos a equipe médica lutou para ressuscitá-lo e, quando estava quase perdendo as esperanças, o coração de Jonathan voltou a bater. Após isso, a cirurgia correu normalmente.

Durante as 5 semanas em que Jonathan esteve em coma, uma imagem ficou em sua cabeça, se repetindo diversas vezes. Estranhamente, ao escutar o tiro era como se ele pudesse ver a bala chegando, mas não podia fazer nada para impedi-la. Após cair no chão, escutava 2 homens discutindo, e os ouvia em sua mente incansavelmente.

– “Você o matou, ele era só uma garoto, não tinha nada a ver com isso, ele não devia morrer.”

– “Não importa, ele escutou demais, podia ferrar com a gente, ou você queria que ele contasse pra todos que nos organizamos tudo no dia em que o pai dele morreu? Uma hora ou outra, todos tem que morrer.”

– “Cala essa boca, vou levar o garoto pro hospital, trate de limpar tudo isso e invente uma história para explicar”.

Essas palavras repetiram-se em um ciclo interminável, que a cada minuto se tornava mais rápido e insuportável, até que ele percebeu que podia interrompê-lo. E assim o fez. Jonathan acordou, mas não conseguia se lembrar de muitas coisas. Sua mãe contou-o que ele havia sido assaltado quando saia do trabalho, e que Juca o encontrou e o trouxe para o hospital, e o assaltante já havia sido capturado, mas morreu quando tentava escapar da policia. O médico disse que apesar da cirurgia ter sido bem sucedida, devido ao choque sofrido por causa do tiro, da cirurgia e de seu rápido falecimento, Jonathan talvez ficasse com algumas seqüelas, principalmente em suas memórias, o que explica ele não se lembrar do que havia acontecido.

Após sua recuperação, Jonathan voltou a seguir sua vida, mas reparou que algo havia mudado, apesar de não se lembrar exatamente do que havia ocorrido ele sabia que alguém o estava enganando, ele se lembrava de algumas palavras que passaram por sua cabeça enquanto ficou adormecido. “Um hora ou outra, todos irão morrer”.

Certa noite, já deitado em sua cama, quase adormecendo, imagens vinham na mente de Jonathan, não era a primeira vez que isso acontecia, mas essa estava mais forte, ele via algumas pessoas formando um circulo ao seu redor e andando bem lentamente, e falando:

A Pequena Morte

- Este não é o seu lugar ainda.

- Onde eu estou? Como vim parar aqui? (Jonathan)

- Isso não importa agora, você tem uma escolha a fazer, ou você se junta a nós, ou pode seguir seu caminho.

- Me juntar à vocês? como assim? (Jonathan)

- É uma escolha difícil, esse ciclo não pode ser interrompido, e cabe a você cuidar para que isso aconteça, existem pessoas que não tem mais utilidade para o mundo, e apenas atrapalham, ou causam sofrimento desnecessário aos outros, pessoas que foram tomadas pela ambição e pelo egoísmo, que deixaram de lado a verdadeira essência do que é ser humano.

- Olhe para você! Porque você acha que está aqui? Alguém lhe fez isso, alguém em quem você confiava, e que se corrompeu por causa dessa ambição, destruindo vidas e acabando com oportunidades de melhoras. Esse é o tipo de gente que não pode continuar.

- O mundo é um lixo, cabe a nós tentar limpá-lo um pouco, liberar as almas aprisionadas em corpos inertes para que elas possam ressurgir e ter a chance de fazer algo de útil para manter a roda da vida em movimento.

Nisso sua mãe entrou no quarto e viu o filho tendo alguns espasmos na cama, e correu para acordá-lo, ao se levantar e olhar para mãe viu dentro de seus olhos diversas ligações, parecidas com fio de seda, que saiam através dos olhos dela e se interligavam a vários pontos, inclusive a ele, era como se esses fios mostrassem algo sobre ela, que talvez, essa mulher, cansada da vida e dos problemas, ainda tivesse muito a realizar. Nessa mesma noite Jonathan não conseguiu mais dormir, e assim continuou durante algumas semanas.

Poucos meses depois ele ingressou na Policia civil, como investigador, sua adaptação foi rápida, como se ele tivesse um “Q” especial para descobrir coisas erradas. Seu chefe, Carlo Montovan Silveira, um oficial de carreira a 30 anos na policia civil, era um homem perspicaz e normalmente sempre estava a par de tudo que estava acontecendo.

Carlo logo simpatizou com a presença de Jonathan na corporação, era raro ver jovens como ele se empenharem tanto por uma causa que a maioria das pessoas já havia se acostumado, a corrupção dentro do departamento e de outros órgãos.

Esses estranhos sonhos continuaram a atormentar Jonathan, e coisas começaram a acontecer em seu dia a dia, estranhamente ele sempre sabia quando errado iria acontecer, tanto com ele quanto com as pessoas com quem convivia, era como uma intuição. Ele percebia o que as pessoas estavam pensando, sem nem sequer conhecê-las.

Certo dia, quando Jonathan fazia alguns relatórios, seu chefe entrou em sua sala, e sento-se a frente de Jonathan, tiveram uma conversa informal, falando sobre coisas sem a menor relação com o trabalho deles. Após o fim do expediente foram tomar um café. Lá, Carlo começou a fazer perguntas sobre a vida de Jonathan, sobre a época em que esteve em coma devido ao assalto, perguntando como ele havia se sentido, o que viu. E finalmente começou a contar sobre suas crenças, como se não fosse muito importante, Carlos descrevia exatamente o que Jonathan vinha vendo em seus sonhos, a roda da vida, as almas aprisionadas e o sentido dos seres, tudo. Jonathan se espantou como a visão de seu chefe era parecida com a sua, e começou a contar-lhe sobre esses sonhos e os estranhos acontecimentos das ultimas semanas. Ao ouvir essas histórias Carlo apenas falou:

- Foi o que imaginei, não se preocupe meu filho, eu irei ensinar você a controlar tudo isso, e assim você poderá cuidar da Roda da vida assim como eu faço.

Nos próximos anos Jonathan aprendeu a controlar o que Carlo lhe disse ser magia, com ela Jonathan entendeu que podia interferir na realidade para colocar as coisas em seu sentido correto, também aprendeu os riscos de utilizá-la sem o devido bom senso.

Com essa magia Jonathan começou a descobrir diversos esquemas de corrupção e falsidades dentro do departamento, e usando disso, começou a limpar a corporação de pessoas indesejadas e corruptas, que apenas atrapalhavam todos.

Após 3 anos de seu acidente, Jonathan nunca mais havia ouvido falar de Juca, ele simplesmente desapareceu. Nesse dia, após sair do trabalho e ir para sua casa, encontrou Juca conversando com sua esposa, e com sua filha Sarah em seu colo, ao se deparar de frente a ele, instantaneamente vieram aquelas vozes que ele ouvia logo após receber o tiro, mas que não se lembrava de quem eram, nesse momento todas as cena se remontaram em sua mente, e vendo Juca, ele sabia, fora ele que causará todo seu sofrimento e de sua mãe durante anos, foi ele quem destruiu tudo que ele acreditava quando novo. E era ele quem deveria pagar por isso.

Quando o viu em sua casa, tratou-o como se nada houvesse acontecido, e no dia seguinte ele foi conversar com seu Chefe e Mentor Carlo, contando-lhe o que havia descoberto. Carlo já sabia de tudo a muito tempo, mas disse que não havia tomado atitude nenhuma porque não podia interferir no ciclo, sim, isso também fazia parte do ciclo da vida, e ele deixou Juca impune pois sabia que quem estava destinado a fazer isso não era ele. E que agora, que Jonathan já estava pronto, Juca não fazia mais parte da roda, ele não deveria ter voltado para atrapalhar, existem pessoas que nunca mudam, ele era uma delas.

Jonathan começou a ir atrás de Juca sem que ele percebesse, e aos poucos foi descobrindo todos os esquemas, convivendo novamente com ele, os planos em que participou, tudo que aconteceu no dia em que Juca deixou que um preso fosse resgatado, mesmo dia em que o pai de Jonathan morreu, e aos pouco, Jonathan foi colocando pensamentos na mente de Juca, fazendo com que ele tivesse pesadelos perturbadores, lembrado de todos os males que já havia causado, sendo atormentando cada vez mais, e achando que sempre alguém o estava vigiando, antigos inimigos, amigos traídos, todos a quem um dia ele fez mal, até o ponto de Juca não conseguir mais sair de sua casa Após meses fazendo isso, Jonathan persuadiu Juca a confessar todos os crimes que havia cometido, e entregar a todos que haviam participado, e assim ele fez. Então juntou todas as provas que tinha, colocou-as em sua casa, e após escrever uma carta de confissão, onde também continham seus votos de desculpas a todos a quem ele destruiu a vida, mesmo que isso não fosse adiantar muito, ele se matou, jogando-se do 25º andar do prédio onde morava.

Após isso, muitas pessoas, inclusive policiais, foram presas, e alguns fugiram. A corporação mudou de cara, já que muitos de lá tiveram que sair. Novas pessoas, e Jonathan e seu chefe continuava a desempenhar seus papeis.

Jonathan já havia aprendido muito com Carlo, que o levou para conhecer pessoas como ele, em uma casa onde todos viviam aparentemente sob as instruções de Carlo, lá ele conheceu mais sobre sua magia e sobre a roda da vida e também passou a freqüentar a casa.

Por volta de 2 meses atrás, Carlo simplesmente desapareceu sem deixar vestígios, e Jonathan, por ordens da diretoria da Polícia Civil de São Paulo, assumiu o cargo de Carlo na Corregedoria da Policia Civil de São Paulo.

Histórico de Jonathan

Mago Jones